Memórias esquecidas: o que seu passado revela sobre seus medos e ansiedades?

Você é o tipo de pessoa que coleciona medos ou que se sente ansiosa aparentemente sem motivo? Sabia que experiências do seu passado podem estar sabotando sua capacidade de viver despreocupadamente e desfrutar o momento atual? Descubra como seu passado pode estar influenciando seu presente acompanhando a história a seguir, que foi relatada por Francine Shapiro em sua obra “Deixando seu passado no passado”.

A história de James

James era um garoto de 14 anos que ficava ansioso toda vez que ia para a cama. Ele tinha medo de ser, veja só, assassinado por alguém que pudesse aparecer em seu quarto e atacá-lo quando estivesse sozinho enquanto dormia. Talvez você já esteja imaginando como dormir se tornou uma questão bem complicada para ele, não é mesmo?

Seu medo se tornou algo tão intenso que, na tentativa de lidar com ele, James supôs que precisaria decidir se dormiria virado de frente ou de costas para a porta. Ele acabou decidindo que seria melhor dormir de costas, pois se fosse mesmo atacado, pelo menos não seria obrigado a ver a pessoa vindo em sua direção sem conseguir se defender.

Você percebe o “ajuste” que James fez para conseguir dormir, totalmente influenciado pelo medo? E, como acontece com muitas pessoas que sofrem com uma serie de questões que se repetem ao longo do tempo, ele não conseguia identificar de onde vinha esse medo, qual era sua origem. Esse era um medo que o perturbava há alguns anos e que vinha piorando com o tempo.

Então, um dia, numa sessão de psicoterapia, seu terapeuta perguntou se ele se lembrava dos sentimentos que havia tido na noite anterior, na tentativa de acessar sua rede de memórias. Quando James se concentrou no medo e na imagem de ir sozinho para a cama em seu quarto, uma memória apareceu.

Um fato ocorrido quanto tinha oito anos de idade (seis anos antes, portanto) viera à tona. Naquela ocasião, seus pais tinham viajado e James havia ficado sob os cuidados da avó. Na época, jornais e TVs estavam noticiando os assassinatos cometidos por um criminoso na Califórnia, nos EUA, e todos estavam preocupados e em estado de alerta pensando onde aconteceria o próximo ataque.

Agora veja como nosso cérebro é incrível, capaz de fazer associações que a gente, por vezes, nem imagina que ele pode fazer. No caso de James, seu cérebro tinha associado a ausência de seus pais aos assassinatos. A partir daquele momento, quando ele ia dormir, permanecendo sozinho em seu quarto, quem aparecia?! O medo e a ansiedade. No entanto, seus sintomas desapareceram depois que a memória foi processada na psicoterapia.

Deixando o passado realmente no passado

Felizmente os pais de James o levaram para a psicoterapia quando ele tinha 14 anos de idade, mas diferentemente dele, como eu acompanho no dia-a-dia do meu trabalho, muitas pessoas seguem pela vida adulta sofrendo com medo e ansiedade devido a diversos fatores, por vezes passando muitos anos em sofrimento, acreditando não haver possibilidade de mudança e melhora, adaptando seu jeito de viver a vida na tentativa de evitar mais sofrimento. Só que, nessa tentativa, acabam por deixar de viver experiências incríveis! É, são muitas oportunidades bacanas deixadas de lado, muitas desistências e abandonos de planos e projetos para evitar sentir medo ou ansiedade (ou mesmo outras emoções mais desagradáveis, como raiva e tristeza).

Só que o passado não precisa ditar seu presente e seu futuro. Por meio da psicoterapia, especialmente de abordagens integrativas como Brainspotting e EMDR, é possível acessar as memórias que geraram e as que estão alimentando suas dificuldades atuais, e assim processar crenças, sensações e emoções que contribuem para seu sofrimento. Com as ferramentas adequadas, é possível transformar memórias de experiências dolorosas em aprendizado e crescimento pessoal para começar a viver uma vida mais fluida e tranquila, deixando o que passou literalmente no passado, para que tais memórias sejam apenas lembranças que contam a sua história.

A propósito, você conhece Brainspotting e EMDR? Que tal conversarmos sobre isso num próximo artigo?

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